Bem mais de 60 cariocas empolgados

POR Yugo EM 22/09/2010

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Havia chegado a hora, a tal noite em que o Miike Snow subiria ao palco do Circo Voador depois da iniciativa que mobilizou 60 cariocas e algumas empresas a financiar a vinda da banda ao Rio de Janeiro. Era uma segunda-feira, não se sabia ao certo quantas pessoas apareceriam pro show, mas chegando lá, a reação de todos era a mesma e nas rodinhas antes do show não se falava em outra coisa: “Tá cheio, né?”. Dava pra sentir o clima de realização em todos, mesmo naqueles ainda cansados do fim de semana. Teve um que chegou a fazer piada me dizendo: “Já é sexta-feira de novo, né?”, do lado de dentro do Circo Voador parecia sim. Não demorei para encontrar os mais empolgados dentre os 60 empolgados. Um deles comentou: “Os pôsteres estão saindo muito”, referindo-se às sobras dos brindes preparados por eles e pela Redley para os cotistas, uma camisa e um pôster com a marca do show. Continuei: “Fui hoje buscar a minha camisa, curti! é uma lembrança”. O show começaria às 22h em ponto, mas foi pouco antes das 22h30 que uma outra amiga, mais uma das cariocas empolgadas, caguetou: “Vai começar agora, daqui a dois minutos”. O trio subiu ao palco antes dos outros dois integrantes de apoio, todos de máscara branca. O show começa com uma introdução, combinada por eles momentos antes, um passarinho me contou.

Toda a euforia prestes a explodir por conta das 850 pessoas presentes foram supridas pela áurea climática do show. Não é o show mais empolgado da terra, muitas das músicas são introspectivas, porém, é intenso e extremamente bem dirigido. A luz e a fumaça são quase uma extensão dos instrumentos e da voz precisa do vocalista. Assisti ao show com o Duda, companheiro aqui do Partybusters e grande amigo: “Ou este cara canta muito ou usa uns filtros bacanas, tá perfeito”, comentou ele. A valorização dos climas me lembrou o U2 em seus melhores momentos. Em questão de minutos, também ouvi do Duda: “Parece U2″. Obviamente, estamos falando de um U2 que muita gente não conhece (ainda dá tempo de procurar). Eu e Duda compartilhamos gostos em comum e pensamos música de forma parecida, fazia sentido assistir ao show juntos, os comentários eram complementares: “Bizarro pensar que estes caras produziram Toxic, né? parece que Get Together da Madonna também é deles, sabia?”. Eu não sabia sobre a Madonna, mas fez todo o sentido naquele momento. Num dos poucos momentos falados do show, o vocalista agradeceu: “We’d like to thank 60 friends” e completou com os nomes dos que promoveram a iniciativa, após a tentativa de dizer algo em português (não rolou…). Emendaram com o hit, Animal.

Quando fui buscar cerveja, encontrei outra amiga que perguntou: “Você também é um dos 60 cariocas empolgados?”, respondi que sim. Ela completou: “Foi mais rápido que eu no gatilho, mas vim prestigiar, achei demais! tô até admirada por conhecer mais de três músicas” e sorriu. Provavelmente muitos ali se encontravam na mesma situação, dispostos a apreciar o que gerou tanto burburinho nas últimas semanas. Na entrada, um amigo disse que estava fazendo o site para a próxima tentativa do grupo, mas não podia dizer quem seria o artista. Bastou reencontrar um dos 5 idealizadores pra obter a resposta: “Belle & Sebastian, vamos anunciar assim que terminar”. O show ainda estava rolando quando ouvi um comentário de alguém que passava: “Muito bom, né?”. Já um outro amigo próximo comentou: “Não achei nada de mais”, logo após os aplausos e o anúncio de que o tecladista da banda faria um Dj set na Casa da Matriz naquela noite. O mesmo amigo que não achou o show tão bom perguntou animado: “Vamos pra Matriz ver o cara tocar?”. O clima era mesmo de empolgação e teve até gente dançando a excelente seleção de músicas que rolaram após o show, sinal de que a Matriz ficaria cheia naquela segunda.

Quem acompanhou os caras no backstage disse que eles tinham uma noção do movimento para trazê-los, mas que só quando chegaram aqui, entenderam o que de fato estava acontecendo e ficaram amarradões. Ainda no camarim, comentaram que tinham passado o dia todo na praia e foram modestos: só tomaram cerveja. Quem conversou disse que são bem simpáticos. Na Matriz, a pista de cima estava fervendo quando pararam a música e anunciaram que o Dj set do tecladista começaria na pista 1. O pedido para fechar a pista de cima tinha sido dele próprio, que estava inseguro e não queria tocar para uma pista vazia.

O set foi totalmente eletrônico, barulhento e cheio de remixes, o que pode ter assustado o público indie que frequenta a casa às segundas-feiras. No set, rolou até remix de Black And Blue e uma música do Justice. As mixagens estavam bem boas. Preferi o show. Reencontrei uma amiga por lá que, encantada pelo vocalista, brincou quando o viu ir embora: “O sonho acabou”. Respondi: “Tá só começando”.

(Fotos: André Câmara/PartyBusters)

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