O velório do ‘rock’ será na pista de dança
POR Pedro W. EM 10/04/2012
Não quero discutir a ‘morte do rock’. Muito menos se ela já foi oficializada no Instituto Médico Legal da mídia especializada ou deglutida pelas massas. O rock não morrerá, pois ele nunca existiu. Nunca, pelo menos como um senso único e cerrado de simbologias. O rock sempre foi uma entidade vaporosa, como uma nuvem carregada de nuances que aglomera massas climáticas dos mais diversos pólos comportamentais e musicais. O que está morrendo não é o rock. O que está morrendo é a erva daninha dos rótulos que cresceu em torno dele. O que está morrendo, definhando, em estado de putrefração é o ‘rock’.
Está morrendo aquela velha máxima do ‘Isso não é rock!’. Está morrendo a obrigação do preto, do coturno e das sombras para a categorização do rock. Está morrendo a bifurcação de sonoridades que fizeram do ‘verdadeiro rock’ um clichê jurássico que se desgastou como o jeans do grunge que cheira a mofo. O ‘rock’ está morrendo, não o rock. E o velório do ‘rock’ será nas pistas…
Ao som, quem sabe, dos jovens do Foster The People, californianos por excelência, da cútis lindamente corada aos acordes solares e juvenis, sob a brisa da Costa Oeste, transformada em uma estrada por onde bailaram jovens em êxtase, no Circo Voador, semana passada, curtindo as curvas do vento renovado e não menos relevante do rock dançante de Mark Foster & Cia.
Ou, quem sabe, a morte do ‘rock’ pode ser coreografada com os passinhos de Edward MacFarlane, que, três anos após um show antológico, também no Circo Voador, os cariocas puderam conferir novamente, de pertinho, na sexta-feira (06). O Friendly Fires continua eficiente ao vivo e jogando para longe de nossas mentes a ideia ultrapassada de que o ‘rock’ existe, sem deixar o rock morrer. A guitarra e o agogô, lado a lado. Uma delícia.
O rock não é preto, ele é colorido. Ele é eletrônico, vibrante, pesado e suave. Ele é jovem em sua essência por não perder tempo com categorias, pois tem pressa. Pressa em fazer barulho. O rock não é sempre sujo, ele é também calça social justa nas coxas com a barra dobrada. O rock é Secos & Molhados. O rock é Amy Winehouse. O rock é Foster the People. O rock é Friendly Fires. O rock está vivo. Quem está morrendo é o ‘rock’. Na verdade, já está morto. E eu estou dançando sobre seu cadáver ao som de ‘Skeleton boy’. E vocês?
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Fotos
Foster The People – Eduardo Magalhães
Friendly Fires – Gabriel Bittencourt














