Two Door Cinema Club – Beacon (2012)
POR Pedro W. EM 13/09/2012
No início do ano passado, quando entrevistei o guitarrista Sam Halliday, o Two Door Cinema Club estava prestes a vir ao Brasil pela primeira vez, com a intenção de mostrar, particularmente aos cariocas, no Circo Voador, toda a descontração e a irresponsabilidade marcantes em Tourist History (2010), disco de estreia da banda norte-irlandesa e uma verdadeira fábrica de hits urgentes de indie rock, como um verdadeiro revival do início do século.
Mas, um fato me chamou a atenção na dita entrevista com Sam: ao ser perguntado sobre a leve influência da música eletrônica no som da banda, mesmo no álbum de estreia, o ‘roqueiro’ não fugiu da raia e deu nome aos bois, justificando a brisa eletro com a força da Kitsuné, gravadora da banda, responsável por deixá-los em contato com várias sonoridades eletrônicas. Além de comentar que o trio sempre foi fã de nomes como Daft Punk e Justice.
Agora, dois anos após o début, nasce Beacon, segundo CD do Two Door Cinema Club. Calma, não vá achando que nas próximas linhas você verá qualquer linha de comparação entre o novo álbum e os franceses dos quais a banda tanto gosta. Assim como na primeira empreitada no grupo, a pitada de música eletrônica é delicada, como na abertura do novo disco: a ótima Next Year e sua introdução envolvente.
Two Door Cinema Club – Next Year
Porém, mais interessante do que notar a manutenção da verve eletro é sentir que o TDCC cresceu sem envelhecer durante o intervalo de um disco, apenas. Uma produção mais limpa transformou a eficiente banda de indie rock em uma… madura banda de rock, com letras mais elaboradas (a ‘saudade de casa’ permeia Beacon do início ao fim), vocais mais equilibrados e ritmo mais sincopado, permitindo uma audição mais crítica do som destes rapazes que, curiosamente, perdem força justamente nos momentos em que remetem ao primeiro CD (perdem força, mas não perdem qualidade), como em Someday e Sleep Alone, equivocado single carro-chefe de Beacon.
Mas, se for preciso escolher uma faixa que represente este gradual amadurecimento (até a guitarra de Sam Halliday está mais ‘pensante’ agora), que seja Pyramid, uma pequena pérola melancólica (e totalmente desgarrada de qualquer referência que você possa ter da banda) que traduz perfeitamente o espírito adulto que tomou conta do Two Door Cinema Club nesta segunda jornada. Uma modesta e competente banda de rock que passa incólume pelo teste do segundo disco, pronta para mais riscos, tropeços e boas novas.
Two Door Cinema Club – Pyramid
Afinal de contas, o indie rock, hoje cambaleante, pode ser encarado como uma bela fase para experimentações (fase muito bem aproveitada pelo TDCC, aliás), mas é preciso evoluir. E com Beacon, a banda segue nessa estrada sem qualquer sinal de obstáculos.





