Uma febre silenciosa chamada The Kooks

POR Pedro W. EM 14/05/2012

Foto: Gabriel Bittencourt

Sob meu olhar, era como se um exército tivesse sido convocado para vingar cada palavra proferida pelo jornalista que aqui escreve, dirigindo impropérios ao gênero das jaquetas, do rock e do roll. Morto? Enterrado? Zumbi? Talvez seja a minha escrita em estado de putrefação mais ligeiro que qualquer acorde roqueiro. Ou não, pois sou duro na queda e, principalmente, orgulhoso. O rock vai morrer, aceitem. E continuem lendo esse post, por gentileza.

Mas, como um sopro de vida, ou, aos leitores mais agressivos, como um tapa na minha cara, o Circo Voador, na última quinta-feira (10), superlotou como há tempos não superlotava, para receber sob gritos, aplausos e afins os ingleses do The Kooks. E aí me pergunto: onde estavam estes fãs, antes de quinta-feira?

A resposta emergiu do meu mar de desconhecimento há pouco mais de um mês, quando os ingressos da apresentação dos rapazes se esgotaram, surpreendendo não só fãs carentes dos tickets, como também a mim, jornalista ignóbil desta avalanche de amor que os cariocas têm pela banda e eu não sabia.

Pois naquela noite tive a prova de vida, mesmo que em curta estrada, do indie rock, mesmo sem jaquetas ou coturnos, claro. O público pós-adolescente me mostrou que, se o rock ainda é vivo, ele deve muito à Farm e à Zara. Mas e a música, supostamente, foco de qualquer resenha?

Em certa altura, eu, conhecedor de alguns hits da banda (principalmente os mais recentes que, acreditem, me apetecem até mais), me dirigi a um amigo, já um pouco alcoolizado, e perguntei: ‘Curtindo o show do Strokes?’. E, por mais que aquele fosse um teste pueril em torno de um nível etílico acima da média, a indagação tinha fundo de coerência: o indie rock não evoluiu, nem evoluirá. A faixa que abriu a performance do The Kooks, Is It Me, difere em quê de Junk of The Heart, (bom) single recente, que antecedeu Naive, grande momento e encerramento do show? Em nada. E, longe de mim afirmar que isto é um traço ruim. O show foi pulsante (devido, principalmente, à horda de fãs que invadiram a Lapa).

Musicalmente, o esperado, nem mais, nem menos. Mas a febre silenciosa que o The Kooks proporcionou na noite de quinta-feira é um sinal vital do indie rock, só que com ajuda de aparelhos. O estado evolutivo do gênero é crítico. Já podemos começar a discutir sobre eutanásia.

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Fotos: Gabriel Bittencourt

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