Bootie Rio celebra 2 anos de músicas favoritas arruinadas
POR Pedro W. EM 08/05/2012
Festivo, festeiro, em ritmo de festa: não é de hoje que o nome do jornalista Fabiano Moreira é constantemente associado às pistas do Rio de Janeiro. Muito por conta de seus trabalhos prestados ao finado Agemda, blog que trazia aos cariocas mais saidinhos as melhores opções (e vips, muitos vips) da night na Cidade Maravilhosa. Mas o tempo passou, o site foi dessa para melhor e Fabiano tornou-se uma figura associada a outro nicho, também ligado às pistas, mas de forma mais específica: Moreira se transformou, há exatos 2 anos, no homem mash-up de nossa cena noturna.
Com a Bootie Rio nas mãos, Fabiano comandou a primeira festa 100% mashup abaixo da Linha do Equador, trazendo ao painel complexo e, muitas vezes inerte, da noite carioca, uma nova opção, que passa longe da unanimidade, mas, definitivamente, despertou uma nova energia pulsante nas pistas. O carioca se descobriu, de certa forma, no mashup. E, aos poucos, a Bootie foi fazendo com que o brasileiro também descobrisse essa mistura de gêneros inusitados, havendo, então, uma dinâmica, inclusive, de produção de mash-ups, envolvendo nomes como João Brasil e Faroff. Se Fabiano não inventou o mashup, tenha certeza que ele é padrinhos de vários.
Agora, após estes 2 anos, com que olhos Moreira fita o retrovisor, ao enxergar que, tentando se desvencilhar da noite, de certa forma, foi responsável por uma nova cultura nas pistas da cidade? Decidimos entrar em uma conversa franca com o jornalista, não apenas falando sobre Bootie: blogueiras de moda e releases em PDF não poderiam escapar dessa berlinda deliciosa…
Adrian Roberts, da dupla A plus D, subindo em cima das caixas de som do Fosfobox e cantando “Seven Dreams of Seven Nation Army”, um mashup de Eurythmics com White Stripes, com um casaco de penas
PartyBusters (Pedro W) – Até pouco tempo atrás você era a fonte preferida, com o Agemda, aos que queriam saber quais eram as melhores opções da noite carioca. Você sente falta dessa sensação de ser um catálogo de confiança da night?
Fabiano Moreira – Não. A Agemda foi um projeto muito intenso e bacana, mas aquilo dava muito trabalho. Eu ralava oito horas na repartição e, depois, dava mais oito horas pro blog. Alguém ali tinha que acabar: a Agemda ou eu. Estava virando problema de saúde. E tudo é momento, né? Os personagens da Agemda quase não existem mais. Hoje, a Agemda nem ia ter tanto o que falar, ou ia falar de outras coisas que eu nem vivo mais, que não são mais do o meu mundo. Sem contar que foi um projeto que influenciou tantos outros que vieram depois, ficaram marcas… Só não aprendi a dormir!
PartyBusters – Hoje, enxergo você como um embaixador da cultura mashup não só no Rio, como também no Brasil, via Bootie. Como surgiu essa paixão pelos mash-up’s? Amor à primeira vista?
Moreira – Acho que lá fora também. A Bootie Rio apresentou pra comunidade mashup internacional nosso estilo de fazer mash-ups, o funk carioca, uma nova forma de criar videoclipes de mash-ups. Todo mundo nos conhece. A paixão? Um amigo viveu em San Francisco e mandava sempre os álbuns de fim de ano da Bootie. As imagens dos flyers ficaram marcadas na cabeça. Quando o João Brasil começou a fazer mash-ups, aquilo realmente me empolgou. Aí veio o Faroff, o Brutal Redneck, o Lucio K, o André Paste, eu comecei a virar uma antena daquilo, meio que sem querer, todo mundo me mandava o seu novo mash-up, pedia opinião, eu divulgava.Depois, veio mais uma geração de produtores, MashmyAs$, DJ JAK, Adrian Brasil, Factory Mashup, Leandro Correa, foi virando uma família, sem falar em todos os gringos que vieram e os que mantemos contato na web. A gente não se larga mais, eu amo todos estes caras. Acho que o que me envolve tanto na cultura mash-up é o humor. Eu rio alto de todas as misturas inusitadas que aparecem e da infinidade de possibilidades de combinações e jogos de sentido.
Moreira-Stormtrooper no meio das mulatas da Mangueira na edição Unidos do Star Wars, com o Faroff. Sargentelli dos mashups!
PartyBusters- Já são dois anos de Boootie Rio, ou seja, sucesso consolidado não só da festa na cidade, como do gênero musical. O mash-up tem a cara do rio?
Moreira – Uma noite que toca todos os ritmos musicais ao mesmo tempo tem mais chances de agregar gente diferente, uma mistura parecida com a da praia. O Rio e o Brasil são lugares de muitas misturas. Da mesma forma que os americanos fazem muitos mashups com hip-hop, os brasileiros o fazem com funk carioca. O funk carioca é o DNA do mash-up nacional. O mash-up brasileiro tem a cara do Rio, mesmo quando feito em Novo Hamburgo. O mash-up é carioca sim.
PartyBusters – Comenta-se muito sobre o detrimento de apostas na música para o êxito de uma festa no Rio (é um tal de shot disso, dose dupla daquilo, temas fantasmagóricos), mas, ao mesmo tempo, vemos a Bootie, cuja aposta principal não está no bar, e, sim, nas caixas de som, dando super certo. Há um caminho das pedras até o sucesso de uma festa?
Moreira – Acho que, no caso da Bootie, o sucesso da festa se deve, em primeiro lugar, à nossa paixão pelos mash-ups e à definicão de que isso era o nosso maior assunto. Não fazemos apenas a festa, somos um pequeno pólo produtor e divulgador de mash-ups, há uma produção de conteúdo, tanto em música quanto em vídeoclipes de mash-ups. O blog é constantemente atualizado com as novidades no gênero no mundo inteiro. Então, a rede da Bootie Rio vai além do Rio, neste sentido da produção de conteúdo e informação. Além disso, acho que colocamos humor e interatividade de forma nova nas nossas redes e festas.
Bootie Ladrões de Música, com Kleptones, meganhas, algemas e o cadeião mais bombado do Fosfobox. Nunca aquela jaula ferveu tanto
PartyBusters – Que fim levou a figura dos promoters? Eles ainda têm alguma função na noite? Fazem falta?
Moreira – Eu sou um promoter, apesar de isso não ser a minha atividade principal. Acabei fazendo o papel de um editor de conteúdo também. Mas os promoters, pelo menos na noite underground, digamos, desapareceram. Acho que foram engolidos pelos não-DJs e pelas mídias sociais, sem contar que muita gente foi fazer coisas mais lucrativas. Era uma delícia ir a uma festa e ser recebido pela Polly Simões, pelo Fellipinho Marques, hoje é tudo meio sem dono, sem rosto, sem cara. Mas ainda existem promoters trabalhando, como Nicole Nandes, Clarisse Miranda, Loulou Chavarry. Nunca tinha parado pra pensar nisso. O que faz falta é gente, música boa e novidade. Se promoter fizer isso acontecer, faz falta. Senão, faz falta não.
PartyBusters – Fala-se em ‘crise na noite carioca’ há muitos anos. Ela existe?
Moreira – Acho que sim. A cidade é do dia, né, a gente que insite nisso de noite.
PartyBusters – Descreva a casa noturna perfeita para uma festa perfeita.
Moreira – O Fosfobox, de banheiro vermelho e limpinho sempre. Do lado da minha casa, é o meu clube-amigo.
Depois de tocar na Bootie anterior, João Brasil apareceu de surpresa, na edição do Lobsterdust, para uma canja emocionada, tinha até novinha chorando!
PartyBusters – Produzir uma festa, hoje em dia, difere em quê, se compararmos a uma festa de 2002?
Moreira – As mídias sociais. Mas o boom de eventos no Facebook está deixando a gente com raiva de todas as festas, né? Em 2002, uma festa seria sobre as novidades da música eletrônica. Havia algo acontecendo, aquilo mudava todas as regras da nossa diversão, não tinha mais show, o show era na pista, as pessoas piravam nas roupas, nos acessórios, a era clubber foi inesquecível, as drogas sintéticas, o prazer de sair de casa pra ir dançar, o encontro das pessoas era diferente também, eu não sabia o que você tinha falado há 5 minutos no Facebook. Hoje, todo mundo faz festa, todo mundo é DJ, e poucas propostas se sobressaem. A novidade acabou? Acho que não. São fases. E tudo tem seu sabor, né? A era das festas pop teve seu quê de divertido, mas já deu, é tudo igual, não podemos dançar a mesma música pra sempre.
PartyBusters – O que te dá mais prazer: falar sobre a noite e frequentá-la x fazer a noite acontecer?
Moreira – Vou te decepcionar: ando adorando ficar em casa. Não saio mais. Tô esperando o segundo Sol chegar.
PartyBusters – O que te irrita mais: blogueira de moda ou release em PDF?
Moreira – Páreo duro. Coloca aí também quem manda DM ou avisa no Facebook que enviou e-mail. É a hora que mais me falta o laser no olhar.
Todo mundo com cabeça de caixa na edicão de aniversário de um ano, com os DJs from Mars. Chegou a hora de assoprar a segunda velinha!
E, depois de tantas memórias, risos e registros, chegou o momento de olhar para frente, ou melhor, para sexta-feira (11), quando rola a edição de 2 anos da Bootie, Rio, no Fosfobox. E, nós, claro, fazemos questão de ver você na pista batendo palminhas junto com o Moreira, celebrando mais 365 anos de vida da festa mashup. Para isso, separamos um par de VIP’s àquele querido que tiver mais curtidas na seguinte frase que deve ser completa: ‘Se minha vida fosse um mashup…’. Criatividade na veia, mashup no iPod e bolo no forno, pois é hora de festejar, novinha!
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Bootie Rio 2 anos
Data: 11/05
Local: Fosfobox
Hora: 23h
Line Up: MASHMYA$$ (RS)/Schlaepfer/Luiz G-Vô/André Pipipi/Folkatrua VJ’s
Preço: Ingressos antecipados a R$ 25 nas lojas da Chilli Beans de Copacabana, Rio Sul (segundo piso) e Ipanema 2000 e na Zero Zen (BarraShopping). Na hora: R$ 50. Lista amiga: R$ 30, até 1h; R$ 35, depois.
Lista amiga: bootierio@gmail.com (até às 18h do dia da festa)










