Comuna: a união faz a força (mas faz arte, comida e business também)

POR Pedro W. EM 07/10/2011

Comuna

O último verão carioca foi marcado por um calor histórico que fez as praias ficarem lotadas durante todos os dias da semana, pelo sucesso absoluto do projeto Queremos e também por uma galerinha que emplacou um evento aos sábados, em um casebre em Botafogo, que trouxe novos ares à noite do Rio.

O Palaflou, muito além de uma night, foi uma resposta deliciosa aos que reclamavam de falta de opção no calendário notívago da cidade, com ambiente propício para conversas lendárias, bebida a preço justo, música em altura igualmente justa e comidinhas preparadas, no mínimo, com carinho.

O evento cresceu simultaneamente à necessidade de procurar um novo abrigo para suas próximas edições. Mas, na verdade, muito mais do que apenas encontrar uma sede nova para o Palaflou, seus organizadores foram em busca de um quartel-general que recepcionasse outros projetos que estavam em mente. O ‘x’ do mapa, enfim, foi rastreado e se localiza na Rua Sorocaba, 585, em Botafogo. O nome do quartel? Comuna!

(foto: Tatiana Fernandes)

Galeria de arte, restaurante, escritório da produtora pós_máquina do tempo (comandada por Bruno Americano, Gabriel Cabral, Rômulo Cyríaco e Duda Pedreira, criadores do Palaflou): a Comuna é, dissecada, uma fonte criativa de ideias com CEP. Para elucidar ainda mais quais são estas ideias, que tal um papo com dois dos capitães do quartel?

PartyBusters (Pedro W.): Primeiro, queria que vocês me contassem: a Comuna é, visivelmente, um desdobramento do Palaflou. Como essa ideia cresceu e se tornou um projeto que agrupa restaurante, galeria, espaço para festas e afins?

Rômulo: Uma diversidade muito grande de coisas vai acontecer ali dentro, além do próprio Palaflou. As exposições que inauguraremos no Pala poderão, agora, ser visitadas também ao longo da semana na nossa galeria, a Casa/Mata. Teremos o Restaurante da Comuna, a partir de dezembro, aberto para almoço, de segunda a sexta. O Café Das Nuvens, estendendo a nossa parceria com a Tatiana Fernandes (que já integrava a equipe de culinária do Palaflou). A Sala de Estar, da Bárbara Rosalinski (nossa repórter de /Estilo), que vai expor e vender o trabalho de novos estilistas cariocas. Tem os artistas do Polinômio (Bruno Senise, Felipe Norkus, Rodrigo Martins, Gabriel Secchin, Daniel Frota, Duda Estrella e Pedro Moraes), que tem um ateliê no segundo andar da casa, e que tem colaborado muito com a gente, tanto nas reformas do espaço, quando botamos a mão na massa, quanto na criação das nossas expressões visuais, desde cardápios nas paredes da casa até o nosso site, etc. O escritório compartilhado, onde nós da pós_máquina do tempo trabalhamos, com espaço para outros grupos, projetos, produtoras – estamos agora buscando os interessados. Além disso, o Salão do térreo, onde acontece o Palaflou será utilizado de muitas formas diferentes para as novas propostas que vamos apresentar ao longo das próximas semanas na Comuna.

Amigos, amigos, negócios… entre amigos: reunião na Comuna, com a case ainda em fase de acabamento. Mãos à obra, literalmente (foto: Tatiana Fernandes)

PartyBusters: Qual o ponto mais crítico de embarcar em um projeto destes? Quais as limitações que vocês enfrentam/enfrentaram?

Bruno: Aqui vale falar da burocracia envolvida  em todo processo de legalizacao da empresa, dos riscos, a dificuldade de acharmos o lugar certo…. E penso que vale ressaltar nosso esforço, afinal, estamos fazendo tudo isso de forma completamente independente, sem qualquer apoio neste começo, a não ser ajuda de familiares e amigos. E, claro, da galera envolvida no projeto.

PartyBusters: Parece lugar-comum (e é), mas é inevitável questionar: falta mobilização, digamos assim, da ‘nossa geração’ em relação ao cenário cultural/noite/entretenimento no Rio? Parar de reclamar nas redes sociais e ‘meter a mão’ seria mais aconselhável, concordam?

Rômulo: Acho que as novas gerações cada vez mais ganham um senso de que podem modificar, sozinhas, com sua própria força criativa e de trabalho, sua realidade, o mundo onde elas vivem. Construir um mundo pra si. As gerações anteriores pareciam esperar mais que essa força para a modificação viesse de fora, e ninguém sabia exatamente de onde, daí tanta reclamação passiva… Isso era gerado pela sensação de que tudo estava acabado. De que o homem, o mundo, a sociedade, ou falando mais particularmente sobre a situação da nossa cidade, o Rio de Janeiro, era “assim” mesmo. Então talvez tudo tenha acabado mesmo, e chegamos num momento de rever tudo, e reconstruir. É um momento bom no Rio de Janeiro, também, dá pra sentir isso no ar. Dá pra sentir que as pessoas que vivem aqui estão fazendo mais a cidade… Uma cidade é feita por todo mundo que vive nela, e não por alguns poucos. Todo mundo tem que se envolver. É hora propícia para se perder a obsessão com o sucesso, que por muito tempo levou várias cabeças a reproduzirem automaticamente novas fórmulas bem sucedidas financeiramente. Não é só fazer negócio, mas fazer alguma atividade espontânea, desejando encontro com outros e, claro, conseguir sustentá-la.

Bruno: Acho que o que falta principalmente é uma vontade de realizar o novo, de arriscar sem medo. Contenta-se muito fácil aqui e, de certa forma, as pessoas se acomodam em torno de fórmulas certas. Está tudo pasteurizado no Rio, seja nos bares (a maioria) com cardápios e visuais semelhantes,  seja na vida noturna, com um bando de festa genérica, q propõe a mesma coisa sob nomes diferentes. Por isso acho que só ‘meter a mão na massa’ não é o suficiente. Tem que meter a mão na massa e correr em direção contrária ao óbvio. Propor coisas novas, as influências são inúmeras, cabe a cada um explorar um pouquinho sua criatividade e re-significar essas influências sob seu próprio olhar. É óbvio que haverá erros e acertos. Mas vale antes tentar algo novo e errar do que repetir o que já tem por aí.

(foto: Tatiana Fernandes)

PartyBusters: Sobre a pós_máquina do tempo: o termo ‘produtora’ é bem abrangente. O que ele abrange, neste caso?

Rômulo: A gente tem se referido à pós_máquina do tempo como coletivo de criação e produtora cultural. Se somos apenas um coletivo de criação, isso sugere que criamos, mas não necessariamente realizamos. Se somos apenas produtora cultural, a mesma coisa, no inverso. Queremos ser um corpo que funciona por inteiro, que desenvolve todas ou muitas das suas capacidades.A pós_máquina do tempo, como empresa, é uma produtora de audiovisual e de eventos artísticos e culturais. A Comuna é uma de suas criações/realizações, a maior até o momento, mas queremos que nossas atividades sejam ainda mais abrangentes no futuro…

Bruno: Bem, a nossa ideia é ser tão abrangente quanto o termo. Nossas influências são muito variadas, o que faz com que nossas vontades e ideias também o sejam. Basicamente, queremos produzir o que nos interessar produzir. Ser eclético não é necessariamente ser superficial, mas achar sempre coisas que o interessem, nos mais variados assuntos e ramos. Acho que essa é, de certa forma, a filosofia que nos norteia.

Quer saber como ficou a cara da Comuna? Em novembro o PartyBusters comemora 1 ano de portal com uma festa na casa. Quer conhecer antes? é só chegar no Palaflou, neste sábado, às 19h. Rua Sorocaba, 585, Botafogo. Entrada gratuita, bebida e comida a preços camaradas, gente bonita e música boa. Precisa recomendar?

Comuna
Rua Sorocaba, 585, Botafogo

Programação:
Sábados - Palaflou, a partir das 19h (entrada gratuita)
Terça-Feira, 11/OUT (véspera de feriado) - Yes, We Chaka Khan , às 23h30
Quarta-Feira, 12/OUT - Churrasco + Estreia do curta “Saiderre” + DJ Rajão, às 15h
Quinta-Feira, 13/OUT – Jam Session (infos em breve)

Dia 28/OUT – Inauguração da Sala de Estar, espaço para novos estilistas (infos em breve)
Dia 17/OUT – Inauguração do Café Das Nuvens (infos em breve)
Dia 11/NOV – Festa de 1 ano do PartyBusters portal

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